Crónicas Gastronómicas: Do Piquenique de Luxo ao Clássico de Ananás
Há refeições que ficam gravadas na memória não pelo cenário ou pela ocasião, mas pela qualidade inegável dos ingredientes e pela mestria da confeção. Foi exatamente isso que aconteceu durante um recente almoço ao ar livre, onde a ementa, providenciada pelo Harry’s Continental Kitchen, transformou um simples convívio num verdadeiro banquete digno da realeza.
A experiência gastronómica iniciou-se com taças de uma salada de milho de uma doçura imaculada, preparando o palato para o que se seguiria. Com um entusiasmo indisfarçável, avançámos para as sanduíches, que se revelaram muito mais do que meros snacks rápidos. Havia opções de peru assado com molho de arandos em croissant e lombo assado em pão francês, generosamente regado com molho holandês. No entanto, o destaque absoluto foi a “Longboat Key”, uma obra-prima composta por fiambre, salame e queijo provolone, tudo avivado com a dose certa de vinagrete.
O Fim de Refeição Perfeito
Quando pensávamos que a satisfação já tinha atingido o seu auge — sentimo-nos tão repletos como o rei Henrique VIII —, surgiu o golpe de misericórdia doce. O Harry’s é justamente famoso pelos seus brownies, considerados por muitos como os melhores da região, mas a verdadeira estrela da tarde foi o bolo de Bourbon.
Esta sobremesa apresentou-se com uma textura irrepreensível: perfeitamente embebida em bourbon, sem se tornar enjoativa ou pastosa, e atravessada por uma elegante linha de creme de pistáchio verde-lima no meio. Mesmo para quem não se considera um “docêiro” por natureza, foi impossível resistir, acabando por monopolizar uma fatia generosa. Aquele bolo de Bourbon não foi apenas uma sobremesa; foi o ponto alto de um dos melhores almoços de que há memória.
Um Clássico para Replicar em Casa
Inspirados por esta celebração dos sabores, somos recordados de que não precisamos de ir a um restaurante de luxo para ter uma experiência doce reconfortante. Existem clássicos da pastelaria doméstica que, pela sua simplicidade e sabor rico, conseguem competir com qualquer criação moderna. O bolo de ananás, húmido e caramelizado, é o exemplo perfeito dessa tradição.
Para quem deseja trazer um pouco dessa magia para a sua própria mesa, a confeção deste bolo é um processo gratificante e acessível. A lista de compras é simples: necessitará de 250 gramas de açúcar e igual quantidade de farinha. A gordura fica a cargo de 140 gramas de manteiga, complementada por seis ovos que darão estrutura à massa. O fermento (uma colher de chá) garantirá o crescimento, enquanto o ananás em calda (seis rodelas) e o caramelo serão a alma do bolo. Para o toque final, seis cerejas cristalizadas.
A Arte da Confeção
O segredo reside, como sempre, na paciência e na técnica. Começa-se por juntar os ovos com o açúcar e a manteiga, batendo-se energicamente até obter um creme homogéneo e aveludado. Só depois se adiciona a farinha e o fermento, envolvendo tudo com delicadeza para manter a leveza da mistura.
A preparação da forma é um passo crucial: deve ser untada com manteiga e, de seguida, com o caramelo. Disponha então as rodelas de ananás a gosto no fundo da forma, colocando uma cereja no centro de cada uma para criar o efeito visual clássico quando o bolo for desenformado. Verta a massa sobre a fruta e leve ao forno pré-aquecido a 180 ºC. Após cerca de uma hora de cozedura, terá uma sobremesa dourada e aromática, pronta a criar novas memórias à volta da mesa, tal como aquele inesquecível bolo de Bourbon.


